Aula especial neste domingo 05/06

No próximo domingo, dia 05 de junho, teremos aula especial a partir das 17h. Iniciaremos com uma aula de 30min do Sempai Aldenor, mais 30min com o Sempai Luiz Pontes, 30min com Sempai Renato e encerramento com Sensei Joacir.

Mat Fee está 20 reais. Alunos que pagam por aulas todos os dias estão liberados do Mat Fee.

Tragam suas garrafas de água gelada!

A ARTE DA PAZ III

A  ARTE DA PAZ é a medicina para um mundo doente. Há o mal e a desordem no mundo porque o povo se esqueceu de que as coisas emanam de uma fonte única. Retorne àquela fonte e deixe para trás todos os pensamentos autocentrados, os desejos mesquinhos e a cólera. Aqueles que são possuídos pelo nada possuem todas as coisas.

Se não te unires à verdadeira vacuidade, nunca compreenderás a ARTE DA PAZ.

(Morihei Usehiba)

CORRIGIDO: Seminário com Bull Shihan – 17 e 18 de Setembro de 2011

Nos dias 17 e 18 de Setembro de 2011, Manaus recebe o primeiro Shihan nascido na Am. Latina, o mestre Wagner Bull 6o Dan Aikikai. Esse será o nosso terceiro seminário com o mestre Wagner Bull e na ocasião teremos exames para o nível de Nidan e Shodan. Evento de altíssimo nível em Manaus. Sensei Wagner é famoso no Brasil e no mundo pelo seu Aikido e por sua liderança. Escritor e tradutor de vários livros de Aikido, é graças ao trabalho de mestres como o Shihan Wagner Bull que hoje podemos ter acesso a um nível alto de Aikido em nosso País.

Outra característica marcante de Bull Shihan é seus espírito de Hibi Shoshin(mentalidade de principiante). Mesmo depois de  mais de 4 décadas praticando, em qualquer seminário, o Sensei Wagner Bull é sempre um dos alunos mais atentos e empolgados na prática. Graças a esse espírito, Bull Shihan continua em constante refinamento de sua técnica.

Local do Evento:  Salão Omega – Hotel Adrianópolis – Rua Salvador, 195, Manaus

Horários:

Sábado às 10h e 18h

Domingo às 9h

Shihan Sakanashi Masafumi

O mestre Masafumi Sakanashi é figura notória entre o meio Aikidoísta, sendo convidado para diversos seminários em países como Estados Unidos, Brasil, Venezuela, Bolívia, etc.

O Shihan Masafumi Sakanashi nasceu no Japão em 1954. O seu pai foi praticante do Kendô (esgrima japonesa) e seu irmão mais velho treinava Judo. A sua família emigrou para a Argentina, onde Masafumi praticou Judo e Karaté desde os oito anos de idade.

De 1973 a 1977 dedicou-se à prática da Quiropraxia, na Escola de Especialização em Quiropraxia de Tóquio. Durante esse tempo, praticou Karate como discípulo do Sensei Masoyama.
Na busca por uma arte marcial menos violenta, praticou Tai Chi Chuan e iniciou-se no Aikido. O seu primeiro instrutor foi o Sensei Kuwamori, discípulo do Sensei Morihei Ueshiba. O seu segundo e definitivo mestre foi o Sensei Yamaguchi (famoso mestre e aluno direto do fundador do Aikido Morihei Ueshiba), do Dojô Hombu, com quem obteve o grau de 3º Dan.

Hoje ele detém o grau de 6º Dan e é um dos mestres mais requisitados para seminários na América Latina.

Masafumi Sakanashi Shihan foi nosso convidado para dois seminários em Manaus, o primeiro em fevereiro de 2010 e o segundo em Maio de 2011.

Sensei Luc Leoni

Sensei Luc Leoni é natural da França e está radicado no Brasil desde o ano de 2000, pratica o estilo Aikikai, nos moldes da Federação Francesa de Aikidô, sob a direção técnica do Shihan Christian Tissier.

 Foi aluno de grandes mestres, seja na França como em outros países onde residiu. 

Nos EUA possuiu uma academia por alguns anos, sendo naquele período ligado diretamente à TOYODA SENSEI, grande mestre de Aikidô reconhecido internacionalmente por seu estilo e dedicação a arte. 

Treinou também com outros expoentes do cenário do Aikidô, como Jean Pierre Daniel, Christian Tissier, Mitsugi Saotome, e participou de seminários com Morihiro Saito, Itohiro Saito, Kato Sensei e Steven Seagal, dentre outros.

Atualmente Luc Leoni está ligado a Confederação Brasileira de Aikido e é o nosso Instrutor Convidado para seminário nos dias 15 e 16 de Outubro de 2011.

Bull Shihan – 6º Dan Aikikai

O professor Wagner Bull, nasceu em Londrina, Paraná, e desde a infância teve contato com os imigrantes japoneses, e com sua cultura. Praticou judô, karatê, box e finalmente iniciou-se no Aikidô, em 1969 quando fazia seus estudos universitários em Curitiba, sob a direção do Professor Jorge Van Zuit, que havia sido aluno do professor Noritaka. Nesta ocasião conheceu o mestre Horie, um 5 Dan que visitou Curitiba, que o impressionou profundamente pois era um grande mestre e permaneceu durante 15 dias com ele lhe passando informações.

Em 1970 com a doença do prof. Jorge, assumiu a direção do dojo.Em 1971 mudou-se para São Paulo para realizar seu curso de pós-graduação em engenharia civil, aí treinou durante 5 anos com o prof. Keisen Ono e Reichin Kawai, um dos introdutores da arte no País.

Em 1985 conheceu o reverendo Massanao Ueno, um bispo shintoista e alto grau em Takemussu Aikido, que procura praticar o Aikido junto com o esoterismo Shinto, adquirindo o grau de Nidan, neste estilo, bem como 3 dan do Aikikai.

Aí com Massanao Ueno, nasceu o entendimento da profundidade do Aikido, como caminho de iluminação espiritual, em Wagner Bull.

 

Com a volta de Ueno Sensei para o Japão, fundou o Instituto Takemussu, e conseguiu o reconhecimento da entidade como representante do Aikido Tradicional do País através do Conselho Nacional de Desportos.  Este feito acabou com o monopólio que havia, de que somente uma organização de Aikido poderia ser oficialmente reconhecida no pais e o Aikido começou a crescer no pais.

 

Estabeleceu contato junto ao Hombu Dojo no Japão, através do prof. Yoshimitsu Yamada, e as promoções dos faixas pretas passaram a ser consignadas através deste mestre, que foi aluno do Fundador do Aikido, Morihei Ueshiba e seu filho Kishomaru. Em 1999 foi graduado a 6º Dan pelo shihan aluno direto do fundador Yoshimitsu Yamada.  Em Janeiro de 2002,  o prof. Wagner Bull teve esta  promoção oficializada pelo central mundial japonesa, bem como a sua   organização foi também  finalmente oficialmente  e reconhecida pelo Aikikai Hombu Dojo do Japão, sendo que daí em diante as promoções para faixa pretas passaram a serem conduzidas diretamente por ele.  Yamada Sensei continuou dando apoio técnico indireto ao grupo vindo ao Brasil por ele convidado, até 2005,  quando se desligou por  questão de divergir de  políticas internacionais.

Em janeiro de 2009, o prof. Wagner Bull recebeu o titulo do Hombu Dojo de  Shihan (Mestre máximo de Aikido) sendo a a primeira pessoa nascida na America Latina a conseguir este titulo em toda a história do Aikido. Escreveu os livros Aikido o Caminho da Sabedoria, e Aikido Manual Técnico, Aikido Curso Básico, Takemussu Aiki,  e é conhecido nacionalmente, no meio marcial, como um dos maiores divulgadores da arte no Brasil no momento tendo traduzido para o português as  principais obras escritas pelo Fundador do Aikido, por seu filho o segundo Doshu e pelo seu Neto o atual Doshu, bem como outras obras relacionadas com a arte.

Wagner Bull sensei, é engenheiro civil, e pós graduado em administração de empresas pela FBV, é empresário, casado   tem 2 filhos, Alexandre e Edgar, ambos praticantes de Aikido. Alexandre é médico como a mãe e Edgar é engenheiro como o pai.

Atualmente ensina Aikido em seu  Dojo, o Instituto Takemussu, e é um dos principais dirigentes da Confederação Brasileira de Aikido –Brazil Aikikai  entidade por ele idealizada, e  que atualmente  é a maior entidade de Aikido do País, trabalhando em conjunto com o mestre Roberto Nobuhiko Maruyama, 6º Dan,  possuindo esta organização  atualmente  dojos espalhados por todo o Brasil. Em 1986,  foi o representante brasileiro na constituição e fundação da FLA (Federação Latino Americana) em Caracas, entidade criada por Yoshimitsu Yamada Sensei, que integra a maioria dos países latino-americanos. Foi convidado para realizar seminários e aulas  internacionais na  Venezuela, Equador, Colômbia, Peru, México, Argentina, e Portugal  e Cuba onde possui alunos por ele orientados.

Realizou seminários internacionais todos de grade porte com os mestres , Yoshimitsu Yamada, Seiji Sugano,  Christian Tissier, Donovan Waite, Peter Bernath, Jane Oseki, Nobuyoshi Tamura, Hiroshi Kato, Claude Berthiame, Nelson Requena, Massafumi Sakanashi , Miguel Moralez, Juan Tolone, John Stevens, Willian Gleason, Sugahara, Hayato Osawa, Nobuyuki Kobayashi, Yokota , Yasuno    alguns em conjuntos com outras organizações bem como  o segundo maior seminário de Aikido do Mundo em 2006 como o Doshu Moriteru Ueshiba em São Paulo, com cerca de 2010 participantes ocasião em que teve a honra de ter tido  Doshu visitado seu dojo e jantou em sua casa.  Recebeu aulas e instruções dos seguintes mestres : Kazuo Chiba, Akira Tohei, Kawahara, Kurita, Kanai, Shibata, Hiroshi Ysoyama, Hiroshi Tada, Kawabe, Yasuo Kobayashi, Sadateru Arikawa, Seijiro Endo, Inagaki, Toriumi, Yoshinobu Yamada, Kitahira, bem como teve a chance de receber instruções do  famoso mestre de Aikijiujitsu Kimura no Japão aluno do mestre Sagawa considerado o sucessor de Sokaku Takeda.Teve oportunidade de conhecer pessoalmente o mestre Morihiro Saito em Iwama quando visitou o Aiki Jinja ocasião em que recebeu instruções particulares do mesmo.Teve oportunidade de conhecer outros estilos de AIkido , tendo tido grande influencia do Mestre Koichi Tohei , bem como do Aikido da Yoshinkan , tendo visitado a central desta organização no Japão, e inclusive colaborou na realização de um seminário com o filho de Gozo Shioda no Brasil,  Yasuhisa Shioda, ocasião em que tiveram longa conversa e troca de informações bem como enviou uma equipe com seus alunos mais próximos  para realizar demonstrações de AIkido na ocasião.

 

Wagner Sensei é conhecido por buscar um aikido eficiente em termos de defesa pessoal, é um professor exigente, porém impregnado de filosofia, que adquiriu nas quase 4 décadas em que estuda, ensina e pratica a arte. Foi altamente influenciado por Massanao Ueno Sensei, no aspecto filosófico, por Reichin Kawai, no formalismo oriental que exige em sua escola, e por Yoshimitsu Yamada no aspecto Técnico, de forma a fazer com que no Instituto Takemussu se pratique um Aikido de nível internacional, nada devendo a Nova Yorque ou Tokyo. O fato do prof. Wagner Bull  ter recebido o titulo de Shihan, e tendo nascido e treinado Aikido aqui mesmo no Brasil, pois nunca morou no Japão, bem como ter sido reconhecido como um legitimo representante das tradições do Aikido eliminou por vez a falsa idéia de que  somente japoneses poderiam ter acesso aos mais altos cargos no Aikido mundial, seja como dirigentes, seja com títulos de ensino. Depois de sua promoção ficou claro que basta trabalhar, e se esforçar  para que todos possam, aprender bem o Aikido aqui mesmo no Brasil, e ter todas as prerrogativas que até então a maioria acreditava que era possível apenas aos japoneses. Nos 40 anos de treino de Aikido e 60 anos de vida que faz neste ano de 2009, o prof. Wagner Bull teve acesso a muita literatura e informação complementar sobre Aikido, como documentos, e conversas particulares com muitos alunos diretos do Fundador acima citados. Sua biblioteca de livros de Aikido supera a marca dos 400 exemplares e mais de 500 filmes com quase todos os grandes mestres. Todo este material foi por ele estudado e  condensado na  ultima edição do livro Aikido o Caminho da Sabedoria em 3 volumes com mais de 1500 paginas e centenas de fotos , sendo esta obra o livro de artes marciais mais vendido no Brasil, agora em sua 14 edição, publicado pela Editora Pensamento.
 

A Arte da Paz

A ARTE DA PAZ começa contigo. Trabalha em ti mesmo e na tua apontada tarefa na Arte da Paz. Cada um tem um espírito que pode ser refinado e um corpo que pode ser treinado de alguma maneira , uma adequada senda para seguir. Estás aqui para nenhuma outra finalidade a não ser realizar  a tua divindade interna e fazer manifestar a tua inata iluminação. Cultiva a paz em tua prórpia vida e então aplica a Arte em todos aqueles que encontrares.

MORIHEI UESHIBA

Hiroshi Ikeda Shihan pela primeira vez no Brasil

Nos dias 5, 6 e 7 de Agosto de 2011, chance espetacular de treinar com um dos Shihans mais famosos no mundo no Dojo Central,Instituro Takemussu.

Hiroshi Ikeda Shihan nasceu em 1950 e é um mestre famoso que ensina Aikido nos EUA. Atualmente ele possui a graduação de 7º Dan, do Aikikai . Ele é o aluno mais avançado de Mitsugi Saotome Sensei conhecido da maioria dos professores aikidoistas brasileiros por seu alto conhecimento técnico e espiritual.. Ikeda Sensei nasceu em Tokyo, e em 1976 mudou para Sarasota na Flórida em 1976, e passou a ensinar Aikido subordinado a Saotome Sensei na organização Aikido Schools of Ueshiba. Atualmente ele vive em Boulder Colorado, e possui uma industria de materiais para Artes Marciais chamada Bujin. Ele tambem viaja frequentemente para conduzir seminários nos EUA e em todo o Mundo.
È considerado um dos mais destacados professores de Aikido dos Estados Unidas na atualidade.
Ficou conhecido aqui no Brasil pelos seus vídeos onde se pode ver uma técnica superior e uma performance incrível.

Entrevista com Tissier Sensei na America do Sul – Por Christian Tissier

Traduzido por Ericka Fernanda (aluna Yama Dojo – Brazil Aikikai)

Sensei Cristian Tissier visitou a America do Sul dezembro passado. Ele ministrou seminários no Chile, Argentina e Uruguai. Mario Lorenzo da Aikikai Argentina, junto com Claudio Zotta e Jorge Rojo, presidente da Aikikai no Chile, teve uma longa e interessante conversa com ele em Buenos Aires. Esta entrevista é parte dessa conversa. Agradecemos Jorge Rojo pela tradução instantânea.

Mario Lorenzo- Como você vê a evolução do Aikido no futuro?

Sensei Tissier – É difícil ver uma mudança radical nos próximos 10 ou 20 anos porque o Aikido será praticado pela geração de hoje, só que mais velha.
A mudança ira depender de atrair ou não pessoas jovens para o Aikido. O tipo de Aikido que temos vai depender de nossa capacidade de trazer pessoas jovens.

É diferente agora do que quando comecei, hoje em dia há diversas possibilidade para eles. Quando começamos, encontramos algo mágico na Cultura Oriental, mas só tínhamos Judô, Karate e Aikido. Nós precisamos envolver mais pessoas entre 18 e 30 anos. Por outro lado o maioria das pessoa assistindo os seminários tem entre 40 e 45 anos, e isso determina o Aikido que vamos praticar.

Outra coisa que é importante para o futuro do Aikido é o que vai acontecer se ele for introduzido em dois outros grandes países como China e India. Lá tem bilhões de pessoas, mas quais são seus interesses? Na China eles praticam Kung Fu, Shaolin e na Índia yoga e outros exercícios, mas quantas pessoas estariam interessadas em Aikido? Nós não sabemos. Poderiam ser 100.000, 200.000 ou talvez nenhum.
Nós não sabemos o que vai acontecer nos próximos 20 anos. Na França existem 70.000 praticantes, se na China houver mais de 300.000, como essas pessoas afetariam o Aikido? Hoje em dia uma classe regular tem uma professor pra vinte estudantes. Se houver 1000 qual seria o método de ensino utilizado pelo professor?

Mario Lorenzo – De um ponto de vista técnico, qual aspecto do Aikido você pensa que chama atenção: Físico, velocidade, ou técnica?

Sensei Tisier – Diversidade é a força do Aikido. Há pessoas que praticam o Aikido somente porque não é muito físico. Algumas dessas pessoas poderiam praticar outro esporte. Há outros que trabalharam o físico antes e pra isso incluíram o Aikido. Eu tenho quase 60 e me sinto um atleta. Eu não estou dizendo que pratico um Aikido físico, mas eu sinto como alguém que fez esporte durante toda a vida. Nós estamos interessados em manter um aspecto de práticas baseados no trabalho físico.
Há pouco tempo eu fui a Amsterdam com o Doshu, nós temos a mesma idade. Ele fez uma demonstração de aikido que foi extensivo, rápido e preciso com todas as características de um atleta.

Mario Lorenzo – Na américa do Sul podemos ver que as pessoas que enfatizam muito o “KI” em sua praticas não são tecnicamente sérios. Você vê isso em outros Países? E o que você acha do “aikido sem toque” de Watanabe Sensei?

Sensei Tissier – Eles são duas coisas diferente. De um lado temos pessoas que falam sobre o ki, e no outro os que praticam aikido como Sensei Watanabe. Ele desenvolveu algo no qual ele é especialmente interessado: Não é sobre o trabalho do ki mas sobre a antecipação, sensações, o jeito que você acha que é ou não, ou a forma que funciona ou não. Funciona quando você sabe o código, mas marcialmente não funciona.
Estando no Japão eu trabalhei muito com ele, Watanabe não era assim antes. Ele é um praticante físico que quer desenvolver algo diferente. Eu acho que se eu passasse por uma banca examinadora eu não pegaria o que ele produz.
Agora, pessoas que falam e fazem constantes referencias ao ki ao redor do mundo estão procurando algo para justificar suas técnicas vazias. Porque todos nos temos ki, tudo é ki (abrindo seus braços), o problema com o ki é a fluência. Como o ki flui? Quando não há bloqueio. Quando alguém esta fazendo a técnica e não funciona, essa pessoa não tem um corpo desbloqueado.
O objetivo do aspecto técnico da pratica é desbloquear toda parte do corpo onde existir um bloqueio. Alguém que faça um exercício com ombros tensos não terá o verdadeiro ki fluindo.

Mario Lorenzo – Sendo o professor mais importante na divulgação do Aikido ao redor do mundo, como é seu relacionamento com os outros professores Japoneses?

Sensei Tissier – Nosso relacionamento é realmente bom. Na verdade eu sou um produto da Aikikai, eu estive lá quando era jovem e trabalhei lá…

Eu acho que eles me consideram um deles, mas um embaixador também, um estrangeiro.

De acordo com as conversas que tivemos com o Doshu anterior e o atual, para eles eu sou um ocidental que conhece as regras e entende eles. Eu sou parte da imagem da Aikikai. Eu acho que isso é por que fui fiel aos ensinamentos que recebi. Mesmo quando o Aikido tem um lado pessoal cada um o desenvolve de seu próprio jeito, eu tenho sentimentos em fazer parte dessa família. Minha geração é uma que influenciou a Aikikai em ir tão longe. Isso e formado por professores como Yasuno, Yokota, Osawa( que é jovem), Miyamoto, Shibata, e Endo ( que é um pouco velho). Há uma outra geração antes da minha: Tamura Sensei, Yamada Sensei, Tada Sensei, e outra jovem geração que eu não conheço pessoalmente.

Mario Lorenzo – Em seus seminários você presta atenção em “pontos (points)” e “eixos”. Esses conceitos de seu desenvolvimento pessoal do Aikido? E de que modo Yamaguchi Sensei influenciou sua técnica?

Sensei Tissier – Meu método técnico é pessoal, veio de analises que tenho feito do que eu tenho aprendido particularmente do Yamaguchi Sensei, que é um modelo de pureza. Nosso espirito ocidental mostra o modelo Japones de forma diferente. Algumas vezes pessoas japonesas não sabem explicar esses detalhes e isso faz ficar estranho. Alguns são pedagogicamente bons, mas seus métodos não vem com a fala, ou com analise de movimentos, e quando são perguntados por que eles fazem isso dessa forma, eles somente dizem que é daquela forma, dizem que é uma tradição japonesa.

O que eu acho maravilhoso sobre Yamaguchi Sensei é que ele sempre tem respostas para todas as questões. Ele tem reflexões pra cada detalhe sendo um grande entendendo no campo do aikido.

Eu ouvi vários desses pensamentos antes mas eu não pude entender eles. Mesmo hoje em dia eu assisto um vídeo e vejo coisas que não podia ver antes, eu não tinha os olhos para vê-las. E isso é simplesmente porque Yamguchi Sensei foi mais longe. Pessoas que assistem suas aulas sabem tudo intuitivamente. Toda minha geração foi fortemente influenciada por ele.

Mario Lorenzo – Quais são sua memorias e sentimentos com Yamaguchi Sensei?

Sensei Tissier – Eu continuo tendo muitos sentimentos, quando eu assisto um vídeo eu vejo alguém fazendo um movimento especial eu sei exatamente o que será. Velocidade era muito comum nele, força em ação, não era uma força natural. Yamaguchi Sensei era uma pessoa que pesava 65Kg, e a partir do momento que ele começava a ação você não sentia força, havia uma precisão e ao mesmo tempo ele fazia um serie de movimentos de desequilíbrio.

Ele era uma pessoa que no momento que você fazia contato com ele, ele controlava seu centro, ele tinha movimentos fluidos e quando ele tomava a decisão de agir era como uma explosão, uma força avassaladora, éramos como prédios caindo, ele nos quebrava.

Eu nunca tive sentimentos ruins em ser puxado ou empurrado; era uma sensação boa, clara, muito técnica.

Eu tenho diferente memorias de outros professores com quem aprendi, mas falando sobre sensações, com eles havia um pouco de luta. Quando eu forçava mais meu braço eu tinha que me proteger porque doía, e quanto mais eu protegia, eu forçava mais. Nos aprendemos disso também, mas não era esse o sentimento que eu tinha com o mestre Yamaguchi.

Mario Lorenzo – Você tem alguma outra reflexão sobre a pedagogia do Aikido?

Sensei Tissier – Podemos fazer uma analogia com pessoas que fazem música ou dançam. Há pessoas que são presenteadas com essas artes, mas se eles realmente quiserem ser bons tem que aprender técnicas dessas artes. Por que não é uma improvisação, é uma reflexão.

Por exemplo, no ballet, um dançarino de ballet profissional não é a pessoa que decide o que fazer, mas o show é que decide e ele tem que fazer todo o trabalho, não somente o que ele gosta. Ele aprende a técnica e atrás disso existe disciplina.

Existem pessoas que são fisicamente agraciadas para o aikido, mas isso não é tudo. Nós temos que aprender e analisar e fazer uma reflexão disso. Quando fazemos isso, há muitas possibilidades “Fizemos um gesto logico ou só nos beneficiamos?” “ É um gesto exagerado ou é puro?” “O movimento é bonito ou vivo?”

Eu conheço algumas pessoas que tem praticado aikido por 20 ou 30 anos, mais eles são chatos. Se podermos criar 2 ou 3 detalhes de técnicas nosso entusiasmo ira começar. As vezes é necessário reorientar a pratica. Todos os nossos professores mantem o entusiasmos das pessoas, ate por nos mesmos.

No aikido quando é dito “Ikkyo Issho” (faça aikido todas sua vida), perguntamos a nós mesmos “Mas que ikkyo?” O mesmo de algum tempo atrás? O ikkyo tem que ser espiral, ikkyo é o que precisamos pra compreensão de espiral e sensação, não dizer “Ikkyo é assim e nada tem que mudar”

Mario Lorenzo – No seu nível, na sua pesquisa, há alguma duvida técnica?

Sensei Tissier – Não existe esses tipos de duvidas. Eu volto ao que estava falando antes. Quando praticamos, as vezes fazemos algo que não sabíamos que éramos capazes de fazer, e percebemos que essa é uma forma mais fácil de fazer. Então, se continuamos trabalhando um pouco mais, criaremos algo um pouco diferente, mas não é que vamos acordar um dia e descobrir algo novo.

Duvidas nos fazem ir em frente, duvida é algo especifico do Budo porque quando melhoramos em algo, especialmente no sistema marcial, mais percebemos quão fraco somos. Então não sentimos vontade de lutar e só o fazemos quando é necessário. Duvidas é o que faz nos preservarmos, somente um estúpido entra num bar e começa uma briga. Qualquer um que tenha aprendido algo do campo das artes marciais pode somente duvidar de sua fraqueza. Ele é consciente do que ele realmente é.