Grupo de 200 aposentados japoneses se oferecem para substituir trabalhadores mais jovens no perigoso trabalho de manutenção da usina nuclear de Fukushima

Um grupo de 200 aposentados japoneses, engenheiros em sua maioria, está se oferecendo para substituir trabalhadores mais jovens no perigoso trabalho de manutenção da usina nuclear de Fukushima, que foi seriamente afetada pelo terremoto de meses atrás. Os reparos envolvem altos níveis de radioatividade cancerígena, como se sabe. Em entrevista à BBC, o voluntário Yaseturu Yamada, de 72 anos, diz que tem procurado convencer o governo sobre as vantagens de se aceitar a mão de obra da terceira idade. Conclui ele: “Em média, devo viver mais uns 15 anos. Já um câncer vindo da radiação levaria de 20 a 30 anos para se manifestar. Logo, nós que somos mais velhos temos menos risco de desenvolver a doença.” Ou seja: cidadãos que estão na faixa entre 60 e 70 anos, muitos deles inativos, querem dar sua última contribuição à sociedade e, ao mesmo tempo, liberar os jovens de um trabalho que lhes subtrairia muitos anos produtivos de vida, enquanto que, para homens de idade mais avançada, não haveria diferença significativa. Essa é uma notícia que deve fazer refletir a todos nós. Não se trata apenas de generosidade, mas de consciência. Os idosos japoneses não estão sendo bonzinhos, e sim exercendo o sentido de responsabilidade, que a eles é muito comum. Estão pensando na sociedade como algo que só funciona em conjunto, e não individualmente. Acredito que quando a gente faz o bem para si mesmo, com ética e respeito à lei, sem ônus para nossos pares, está fazendo também o bem para todos, mas não basta: é preciso ir além, desconectar-se das vantagens pessoais para pensar no futuro, no que temos para doar em benefício daqueles que têm mais a perder. Um jovem de 18 anos pode contrair câncer aos 38 se trabalhar numa usina nucelar acidentada. A sociedade japonesa perde se abrir mão da força de trabalho de cidadãos de 38 anos. A família japonesa também. É essa visão macroscópica da funcionalidade que faz evoluir um país. Dizem que a gente fica com o coração mole à medida que o tempo passa. Não é por causa de coração mole que esses aposentados japoneses estão se candidatando a um trabalho insalubre. É porque estão acostumados a transformar intempéries em oportunidades, tanto pessoais quanto coletivas, sem distinção. Coração mole tenho eu que me emociono ao ver como seria fácil ser grande, se tivéssemos a grandeza necessária!

Relato sobre o Sagawa-ha Daito-ryu Aikibujutsu por Paul Wollos

Tradução – Jaqueline Sá Freire (Brazil Aikikai – Hikari Dojo – Rio de Janeiro)

Yukiyoshi Sagawa Sensei e seu sistema Daito-ryu sempre foram encobertos por obscuridade. Mesmo atualmente, existem muito poucas informações em Inglês. Espero que os leitores do Aikido Journal aproveitem este relato sobre minhas experiências com este impressionante sistema de Daito-ryu. Este artigo foi escrito com a permissão do Sr. Tatsuo Kimura, 10º. Gen Shihan do Sagawa-ha Daito-ryu Aikibujutsu.

 

Yukiyoshi Sagawa (1902-1998)

Pesquisa pessoal

Minha paixão pelas artes marciais, e especialmente pelo Daito-ryu, começou em 1981. Depois disso, eu fiquei fascinado pela arte do Daito-ryu, e pesquisei os aspectos técnicos e históricos de vários ramos do Daito-ryu. Eu estava buscando por algo misterioso, mas sempre havia uma forma lógica para explicar as técnicas.

Desde 1995 o foco de minha curiosidade foi uma escola em particular: o Daito-ryu Sagawa Dojo. Mas as informações sobre esta escola eram muito raras, e minhas pesquisas foram bastante difíceis, se não impossíveis. Tudo o que pude descobrir sobre Yukiyoshi Sagawa Sohan (“Sohan,” um titulo de Sagawa Sensei em sua arte do Daito-ryu Aikibujutsu) estava no livro de Stanley Pranin intitulado Conversas com mestres de Daito-ryu. Apesar de ser claro que Sagawa Sensei não aceitava alunos estrangeiros, eu decidi escrever uma carta a ele. Eu queria ser aceito para treinar com Sagawa Sohan. Por vários anos eu mandei muitas cartas ao Sagawa Dojo, com apenas uma resposta.

“Sentimos muito, mas seu pedido não pode ser atendido…” Sagawa Sensei faleceu, mas eu continuei tentando obter o máximo de informações o Sagawa-ha Daito-ryu Aikibujutsu. Eu pesquisei na Internet, inclusive em sites japoneses, aonde encontrei pedaços de informação. Gradualmente, mais e mais pessoas souberam sobre meu interesse sobre o Sagawa Dojo e o Sagawa-ha Daito-ryu Aikibujutsu. Naquela época, eu pensava que, como eu já tinha algumas habilidades básicas, eu podia aprender o Sagawa-ha Daito-ryu e “promovê-lo” fora do Japão. Logo eu descobri que minha forma de pensar era estúpida. Meu pedido foi rejeitado novamente, mas eu não podia desistir de minhas aspirações.

O primeiro contato

 

Tatsuo Kimura Sensei

O acesso ao Sagawa-ha Daito-ryu Aikibujutsu não é restringido apenas em relação aos estrangeiros. Mesmo os Japoneses nativos devem fazer um requerimento por escrito ao Sagawa Dojo, e seus requerimentos frequentemente são rejeitados.

Meu primeiro passo foi dado quando fiz contato com o professor Tatsuo Kimura, que possui o mais alto nível técnico em Sagawa-ha Daito-ryu Aikibujutsu. Eu recebi permissão para participar de uma aula “experimental” em seu dojo na Universidade Tsukuba. Eu parti para o Japão imediatamente.

O primeiro encontro

Kimura Sensei parece ser um homem comum. Na verdade, ele parece bem mais jovem do que realmente é (53 anos). Ele certamente não parece ser alguém que possui habilidades marciais assustadoras. Olhando o Prof. Kimura ou as fotografias de Sagawa Sensei, nada indica que eles poderiam ter alguma capacidade ou habilidade extraordinária. Kimura Sensei está sempre sorrindo, brincando, e parece estar constantemente feliz.

Kimura Sensei era 3o dan em kendo e 5o dan em aikido quando conheceu Sagawa Sensei. Após ter experimentado o “aiki”, o Sr. Kimura imediatamente pediu para ser aluno de Sagawa Sensei, mas foi rejeitado. Sagawa Sensei lhe disse que ele provavelmente apenas “roubaria” algumas técnicas para melhorar seu aikido. O Sr. Kimura foi forçado a esperar. Ele persistiu, escreveu cartas, e finalmente teve permissão de treinar no Sagawa Dojo, mas com uma condição. Sagawa Sohan não lhe ensinaria nada pessoalmente! Parece que passou muito tempo antes que Sagawa Sensei se decidisse que o Sr. Kimura era merecedor de receber instruções diretas. Não apenas o sonho de Kimura Sensei se tornou realidade, mas ele também recebeu uma recompensa muito maior, pois lhe foi ensinado todo o sistema, incluindo os “segredos internos” desta arte.

Kimura Sensei me disse que sua primeira inspiração sobre o aiki veio em 14 de Setembro de 1997(domingo). Tres dias depois, Sagawa Sohan ficou doente. Ele faleceu em 24 de março de 1998.

Mas um dia antes de sua morte, Sagawa Sohan arremessou o Sr. Kimura com aiki continuamente por uns 15 minutos. Às vezes era com muita força, e o Sr. Kimura bateu com a cabeça com força no tatami umas tres vezes. Isso é apenas um fato.

Ele explicou que quando uma pessoa tem pela primeira vez uma inspiração sobre o aiki, ainda leva muito tempo até que ele consiga executar aiki em todas as técnicas. Mas a diferença se apresenta na execução de todas as técnicas. “A diferença aparece depois, pois o caminho do progresso é muito diferente com aiki”, explica Kimura Sensei.

Atualmente, ele está no nível técnico mais alto do Sagawa-ha Daito-ryu, como 10º Gen Shihan. (Yukiyoshi Sagawa Sohan organizou as técnicas do Daito-ryu em 10 níveis, clamados de “Gen”, começando com o 1º Gen seguindo até o 10º Gen).

As técnicas

Kimura Sensei me encontrou em seu escritório na Universidade Tsukuba em 27 de fevereiro de 2001. Após assinar seu livro de registro (eimeiroku), ele me disse que o agarrasse pelos braços. Kimura Sensei me disse que eu deveria usar toda a minha habilidade para resistir, e que ele só começaria a técnica quando eu dissesse que estava pronto. Eu o segurei com muita firmeza, mas com cuidado para que eu pudesse reagir rapidamente a qualquer movimento desde o início (ou, pelo menos, era isso o que eu pensava). Quando eu disse “estou pronto” fui atirado instantaneamente para trás em um sofá que ele tinha no escritório. Eu repeti a tentativa várias vezes, e todas as vezes parecia que minha força ou minha resistência era completamente inútil. Eu cheguei a pensar que meu corpo inteiro estava se recusando a me obedecer. No momento, não pude resistir, nem pude usar nenhuma força. Parecia que toda a minha força tinha desaparecido, ou que eu tinha me esquecido completamente como usá-la. Não só meu ataque não tinha intensidade, mas também as técnicas funcionavam contra a energia que eu estava aplicando, sem a união que é típica do aikido. Isso ia contra todos os princípios que eu conhecia. O que era mais surpreendente, eu não conseguia me soltar dele para evitar o arremesso!

Depois disso, eu coloquei os braços na minha frente e fui arremessado no momento em que Kimura Sensei fez contato, mesmo com um leve toque. Eu pensei, “OK, como será com uma pegada relaxada e leve, ou mesmo com apenas um toque?” Kimura Sensei novamente me chamou, desta vez para tentar qualquer pegada suave, ou que eu tocasse sua mão, ou que apenas pegasse levemente na manga de sua roupa com meu dedo mínimo e o polegar. Eu tentei tudo isso, de várias formas diferentes, e em todas as vezes eu fui arremessado no sofá. Eu não senti nenhuma força sendo usada, mas o impacto de minhas quedas era grande, mesmo caindo sobre uma superfície macia e confortável. Eu senti como se estivesse sendo arremessado pelo vento. Kimura Sensei então me convidou a dar socos para demonstrar Aiki-Kempo. Assim que a mão dele que bloqueava ou fazia contato com meu braço, eu era jogado para trás. Aconteceu a mesma coisa quando ele me disse que bloqueasse seu soco, que era lento e fácil de ser recebido. No momento que meu braço bloqueava seu golpe, meus pés saíam do chão. Pela primeira vez eu senti que tinha encontrado algo misterioso em minha pesquisa sobre artes marciais. Imediatamente eu soube que estava diante de um verdadeiro mestre. Kimura Sensei ria e brincava todo o tempo (se divertindo muito em mostrar seu aiki), mas eu não conseguia rir. A razão disso é simples; este encontro tinha um significado muito especial para mim, e eu me sentia profundamente honrado por me encontrar com uma pessoa assim.

Além de mim, outros dois convidados especiais estavam lá naquele dia. Um era Laurent, um estudante Francês da University Tsukuba, o outro, um artista marcial japonês, Sr. Hasegawa (ele é professor do Katori Shinto ryu, 5º Dan de aikido, e tinha sido campeão da Prefeitura de Saitama de Kyokushin Karate). Lembro que ele tinha uma pegada muito forte, e sua base era realmente forte. Mas, nas mãos de Kimura Sensei, ele parecia uma criança. Ele não conseguia resistir a nenhuma técnica, e era arremessado no sofá como eu tinha sido. Então me pediram que o empurrasse no sofá (segurando-o pelos braços). Na verdade, foi muito difícil fazer com que ele se movesse para trás. Tudo o que eu podia fazer era realmente usar a força física. Então Kimura Sensei me mandou relaxar, e tocou a parte de trás de meus cotovelos. Para a nossa surpresa, meu parceiro imediatamente caiu para trás no sofá. Tudo isso aconteceu em segundos. De outra vez, Kimura Sensei tocou minha costas, fazendo que meus dois parceiros voassem (cada um deles segurava meus baços com ambas as mãos, resistindo com toda a força que tinham).

Depois disso, Kimura Sensei nos encorajou a atacá-lo juntos. E éramos arremessados como pedaços de papel, todos ao mesmo tempo. Às vezes éramos arremessados em direções diferentes, e em outras aplicações nós caíamos uns sobre os outros. Kimura Sensei pediu ao Sr. Hasegawa que o atacasse da maneira do kenjutsu. No momento do contato, o aiki seria aplicado através de qualquer objeto que estivesse sendo segurado. O Sr. Hasegawa realmente não acreditou nesta possibilidade. Ele mirou e atacou. Para sua incredulidade, realmente aconteceu, e ele desabou sobre o sofá. Isso foi uma demonstração de aiki-ken.

Após esta exaustiva experiência, recebemos uma explicação sobre o que aconteceu. Era a rara e mística habilidade do aiki. Kimura Sensei era capaz de aplicá-la em qualquer pessoa, em qualquer momento, e sob quaisquer condições. Aiki sempre funciona. Era mais do que eu esperava. Imediatamente eu me senti envergonhado por ser um tolo, acreditando que aprendendo apenas as técnicas (a “forma” externa, a “moldura” do aikijujutsu) uma pessoa poderia promover o Daito-ryu. O convidado japonês e eu fomos para o dojo com Kimura Sensei.

 

Sagawa Sensei aplicando “aiki” em Tatsuo Kimura Sensei

A verdadeira experiência de treinamento

Ao nos aproximarmos das portas fechadas do dojo, minha excitação aumentou. Não é todo mundo que pode estar presente em uma sessão de prática no Dojo de Kimura Sensei, mesmo em uma simples “aula experimental”. Após uma reverência de joelhos e uma saudação de “konbanwa” (“Boa noite” em Japonês), rapidamente colocamos nossos dogi brancos (e faixas brancas, é claro) e nos juntamos à turma. Todos os membros estavam ocupados treinando. Primeiro, Kimura Sensei me deu uma rápida explicação sobre umas poucas técnicas básicas (sua “aparência” ou “forma”).

As técnicas ensinadas em cada aula de “experiência” consistiam de seis técnicas na posição sentada (zadori), incluídas no curso de primeiro mês do Sagawa Dojo.

Assim que eu tentava começar uma técnica, encontrava uma grande resistência, com minhas mãos sendo seguradas com “punhos de aço” ou era simplesmente arremessado. Parecia que o mais leve movimento que eu fizesse (ou o menor contato) era suficiente para iniciar aiki. Por outro lado, quando eu tentava aplicar uma técnica contra Kimura Sensei, que não resistia, cada movimento meu gerava um contra-ataque e eu era arremessado. Na aula de Kimura Sensei todas as técnicas são aplicadas contra oponentes que resistem com firmeza. Recebi ordens de mudar de parceiros, começando com os mais graduados (faixas pretas), e gradualmente trabalhando com os demais até chegar nos faixas brancas, mas estes “novatos” não pareciam verdadeiramente “novatos” para mim. Eu fiquei muito surpreso com as habilidades de todos. Eles eram muito bons. Eu não consegui aplicar nenhuma técnica em ninguém naquele dojo, o que ocorreu foi o oposto, qualquer um deles podia facilmente aplicar suas técnicas em mim, me jogando para a esquerda e para a direita, para frente e para trás. É importante notar que todas as técnicas que me foram ensinadas eram feitas apenas em zadori. Estas são as técnicas do primeiro mês do Sagawa-ha Daito-ryu.

Eu tive a honra de ser o uke de Kimura Sensei algumas vezes. A cada vez eu era arremessado para cima e para longe, seriamente preocupado com a aterrissagem. Minhas habilidades com ukemi (rolamentos) se mostraram muito úteis, mas de forma limitada. Eu não conseguia sentir nenhuma força sendo usada pelo Sensei, mas podia sentir o impacto de cada técnica… no tatami! Compreendi que não existe jujutsu sem aiki no Daito-ryu. Sem imobilizações de juntas que causam dor, mas um desequilíbrio imediato do agressor, forçando seu corpo a cair. Na verdade, eu não caía simplesmente, geralmente meus pés saíam do chão, como se eu realmente estivesse sendo arremessado no ar. Eu nunca senti algo assim em qualquer outro dojo, de Daito-ryu ou de aikido.

A aula terminou em duas horas. Eu estava completamente confuso (assim como meu colega, o Sr. Hasegawa), e eu não podia me conformar com a idéia de não poder treinar novamente. Mas essa era a condição de Kimura Sensei, apenas uma aula de introdução!

Naquela noite não consegui dormir. No dia seguinte fiquei doente, incapaz de pensar. Minha mente estava distorcida. Eu consegui contatar Kimura Sensei, mas não poderia praticar mais. Entretanto, eu me decidi a manter o contato.

Uma benção

Mais de um mês se passou depois de minha primeira experiência com o Sagawa-ha Daito-ryu Aikibujutsu.  Decidi contatar Kimura Sensei novamente. Neste dia, Kimura Sensei permitiu que eu treinasse novamente.

Cada vez que eu ia a Tsukuba era um dia especial para mim. Cada prática era uma honra, e tudo o que eu desejava era treinar Sagawa-ha Daito-ryu Aiki Bujutsu ensinado por Tatsuo Kimura Sensei.

Quase todas as práticas consistiam em técnicas na posição sentada. Acho que as técnicas básicas (para o primeiro mês de prática no Sagawa Dojo) feitas na posição sentada são os pontos chaves para muitas técnicas de aiki no Daito-ryu. Só posso dizer que havia técnicas de imobilização de juntas (como eu disse antes, eu não sentia dor, mas meu corpo era arremessado), técnicas básicas de aiki, e algumas variações na posição de pé. Era diferente do aikido, em que a pessoa cai para o parceiro. Todas as técnicas de aiki de Sagawa-ha devem ser aplicadas contra parceiros que resistem 100% todo o tempo. Havia momentos em que as técnicas devem ser praticadas de forma relaxada, para que se domine a “forma”, mas a prática real é feita através da aplicação eficiente de cada técnica contra oponentes que resistem completamente. Não pode ser usada nenhuma força física! Obviamente, eu não conseguia fazer nenhuma delas com sucesso, hoje em dia, como experiência, eu as pratico diariamente na esperança de uma iluminação.

Então, o que é o aiki?

“Mesmo que você seja segurado (atacado) com força, faça a técnica com leveza!”

– Yukiyoshi Sagawa Sohan

O aiki é um poder da energia do ki? É Kiko / Qigong? – Não!

É um tipo de alucinação, hipnose? – Não!

O aiki pode ser obtido através da meditação? Não!

Ele se baseia nas leis da física? – Não!

Na anatomia humana? – Não!

É mágica? – Não!

Então o que é?

Bem, primeiro eu devo informar aos leitores que Sagawa Sensei desenvolveu uma forma diferente de aiki, mais avançada. Assim, esse aiki é diferente do que foi aprendido de Sokaku Takeda Sensei. Sei que encontrarei críticas, mas para mim parece ser o único aiki real, prático. Posso até ir mais além, declarando que se o único foco do Daito-ryu é o aiki, então só deve haver um Daito-ryu, como uma arte completa.

Só posso descrever que o que eu aprendi sobre aiki da prática em Sagawa-ha Daito-ryu. Aiki não é Kiko (Qigong em Chinês), não é hipnose nem mágica, e não tem muito a ver com o nosso modo lógico de pensar. A única forma é pensar nas várias formas ao aprender uma técnica eficiente de aiki. DEVE SER FEITO COM LEVEZA. Qualquer excesso de força física é inaceitável. Através do treinamento constante da “forma” contra vários graus de resistência, talvez seja possível que um dia o praticante adquira a maestria desta habilidade. Para mim, o aiki não é algo que possa ser encontrado em nosso mundo. Além disso, só Kimura Sensei possui esta habilidade única. Diz-se que ninguém além de Kimura Sensei atingiu um nível tão alto de compreensão do aiki, e ele realmente o pratica.

“Aiki é a habilidade de tirar do oponente todo o seu poder no instante do contato.”

– Yukiyoshi Sagawa Sohan

“O Aiki existe em uma dimensão completamente diferente.”

– Tatsuo Kimura, Jugen Shihan

Treinar muito todos os dias não trará os resultados desejados. O treinamento físico sem um desejo intenso será inútil, e vice versa, e desejo por si só não fará com que a pessoa se torne um mestre de aiki sem o treinamento sincero. E para finalizar este longo artigo, só posso dizer que eu estava muito cético quanto à parte mística de várias artes marciais antes de encontrar Kimura Sensei. A oportunidade que ele me deu mudou completamente minha forma de pensar. E mudou todo o meu conceito sobre o Daito-ryu.

Eu gostaria de demonstrar minha grande gratidão a Tatsuo Kimura Shihan por ter me dado uma oportunidade assim. Ao escrever este artigo, a ajuda de Kimura Shihan foi enorme. E também ao Sr. Stanley Pranin, porque sem seu Aikido Journal seria muito difícil dar este relato sobre o Sagawa-ha Daito-ryu.

Domo arigato gozaimashita.

 

Nota do prof. Wagner Bull

Cada pessoa percebe uma experiência de acordo com a sua própria anterior.Em minha viajem ao Japão, agora em Maio 2007 , tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Mestre Kimura, e a sorte dele permitir que eu treinasse em seu Dojo. Foi uma experiência muito interessante e a comprovação de muitas coisas que venho percebendo no meu treino do dia a dia e outras que ainda não sei bem como fazer, mas algo ficou claro: Os aikidoistas não podem se acomodar na forma de treinar que a maioria dos praticantes e professores estão fazendo atualmente em termos da arte ser eficiente como luta de defesa pessoal. È preciso se aprofundar nas raízes deste Caminho sob o ponto de vista técnico que é o Daito Ryu, falta base , conhecimento de certos princípios que parecem que se perderam na maioria das escolas de Aikido. Aikido desenvolveu-se maravilhosamente na sua proposta ética e filosófica, mas a parte técnica neste processo sofreu com isto. È preciso ir mais na fonte, buscar as razões pelas quais os movimentos são feitos. È o que já vínhamos fazendo no Instituto Takemussu e depois desta experiência que tive com Kimura sensei, pretendo intensificar ainda mais o treinamento neste sentido. Aikido é sim um caminho de iluminação espiritual, mas tem que estar alicerçado em uma arte marcial eficiente para realmente transformar o individuo e faze-lo sentir-se integrado com o universo, esta é a minha conclusão até aqui.

Final de Semana com Luc Leoni Sensei

Neste final de semana tivemos a honra de receber a visita de um dos membros da banca examinadora do Brazil Aikikai, o Sensei Luc Leoni. Tivemos três aulas com o Sensei Leoni. Na primeira ele trabalhou mais o conceito de linhas no Aikido (como se  posicionar corretamente). Bateu bastante no ponto de que o Uke não pode  entrar exposto com o risco de ser atingido por um golpe que liquidaria o assunto.

Na aula da tarde treinamos os Kumijo’s de Saito Sensei.

Na aula de domingo, Sensei Leoni nos passou exercícios de respiração bem interessantes. Como respirar durante um ataque e como perceber a respiração do UKE para saber tbm o momento correto de respirar. A impressão que Leoni Sensei deixou foi a de um Aikido bastante forte e marcial e nos serviu bastante para continuarmos progredindo em Manaus. Foram detalhes ricos que todo artista marcial precisa para progredir seriamente em um DO.

Takepol – Módulo III – Dezembro de 2011

TAKEPOL – Aplicações do BUDO dos SAMURAIS no Segmento Policial

Obs.: Módulo I foi cancelado por falta de corum.

Mais uma vez em Manaus o excelente curso TAKEPOL  módulo III em dezembro.

    17 e 18 de Dezembro 2011 – Módulo III

Vejam mais informações do curso em:
https://yamadojo.wordpress.com/takepol/

  • Valor por Módulo: 300 reais em 2x (R$150 em espécie no ato da matrícula e cheque no valor de 150 para 30dd)
  • Pagamento a Vista até o dia do evento: 10% de desconto
  • Pagamento a Vista até 30 dias antes do evento: 20% de desconto
  • Desconto para grupo acima de 5 pessoas: 10%
  • Membros da Confederação Brasileira de Aikido ainda recebem mais 5% de desconto.

Não está inclusa a camisa. Quem já as tem, pode utilizar a mesma (azul). Quem precisar adquirir, a mesma será vendida por R$25 reais

Vagas Limitadas!

Mais informações pelo e-mail: yamadojo@gmail.com ou pelo cel: (092) 8811.1085

Início das aulas regulares baseadas no curso TAKEPOL em Manaus

Prezados,

a partir do dia 09 de outubro de 2011, será dado início às aulas regulares no Yama Dojo baseado no curso Takepol da Confederação Brasileira de Aikido (www.aikikai.com.br). O horário do curso será de 8h às 10h aos domingos, com execeção dos dias em que sejam realizados eventos de Aikido pelo Yama Dojo. O objetivo deste curso é promover uma opção de treinamento regular para alunos dos Módulos de Finais de semana ministrado por instrutores da Confederação. O valor mensal deste curso será de 100 reais, podendo sofrer reajuste no futuro.

Considerando a máxima, a Confederação Brasileira de Aikido – BRAZIL AIKIKAI, não comunga do pensamento comum, de que um individuo, em um final de semana, venha há se tornar um autêntico artista marcial, apto a enfrentar um meliante em situação real.

Se tal fato fosse digno de veracidade, não seria necessário à dedicação de anos, ao estudo e treinamento de uma modalidade marcial, para se tornar um Faixa Preta.

Cada Módulo fornecerá as informações necessárias ao Instruendo, porém no que tange a “Aplicação Efetiva” das técnicas de Defesa Pessoal e Imobilização, para uma eficiente aplicação no dia-a-dia, consideramos que é necessário um treinamento integrado e continuo, para absorção dos conhecimentos ministrados, tornando assim as ações do Profissional de Segurança automáticas e condizentes com sua rotina de trabalho.

Seminário com Sensei Luc Leoni – 15 e 16 de Outubro de 2011- Manaus/AM

Sensei Luc Leoni é natural da França e está radicado no Brasil desde o ano de 2000,  seu grupo, o Circulo Luc Leoni de Aikido está filiado à Confederação Brasileira de Aikido Brazil AIkikai. Luc Leoni pratica o estilo Aikikai, que aprendeu quando estava na França, ligado à Federação Francesa de Aikidô, dirigida tecnicamente pelo  Shihan Christian Tissier.

Foi aluno de grandes mestres, seja na França como em outros países onde residiu.

Nos EUA possuiu uma academia por alguns anos, sendo naquele período ligado diretamente à TOYODA SENSEI, grande mestre de Aikidô reconhecido internacionalmente por seu estilo e dedicação a arte.

Treinou também com outros expoentes do cenário do Aikidô, como Jean Pierre Daniel, Christian Tissier, Mitsugi Saotome, e participou de seminários com Morihiro Saito, Itohiro Saito, Kato Sensei e Steven Seagal, dentre outros.

Atualmente Luc Leoni está ligado a Confederação Brasileira de Aikido e é o nosso Instrutor Convidado para seminário nos dias 15 e 16 de Outubro de 2011.

Tese de Shodan – O Aikido na Floresta – por Renato Lessa

Manaus 17 de Setembro de 2011

Muito tem se dito sobre o AIKIDO e venho escutando e lendo muita coisa também. Nos oito anos em que pratico esta arte, pude perceber que a grande parte do que se escuta e se lê é verdade.

Descobri no AIKIDO um caminho de grande harmonia, não somente nas técnicas utilizadas durante o treino, mas uma harmonia que vai se tornando parte de nós durante a prática desta arte.

Sou Pernambucano de nascença, porém, uma parte do meu coração é Amazonense e durante estes oito anos de treino, tenho convivido com a história do AIKIDO em Manaus e pude identificar diversas coisas em nossa vivência nesta arte aqui em meio à floresta.

São elementos do AIKIDO que são realmente vivenciados tais como:

O relacionamento entre Sensei e alunos:

Em parte destes oito anos em que pratico o aikido, tive a oportunidade de treinar com o Instrutor que iniciou o AIKIDO em Manaus. No inicio aprendi sobre o respeito que se deve ter pelo Sensei, e isso pra mim foi algo fácil, pois sempre fui educado a respeitar as pessoas, e mesmo com o fim do relacionamento com nosso antigo instrutor, esse respeito não deixou de existir. Porém, com o término de um Dojo e o nascimento de outro, algo mais interessante surgiu. Eu e outro colega de treino chegamos a conversar e ficar em lados opostos no final da história de nosso antigo Dojo. No entanto, após vários acontecimentos, soube que esse colega, havia iniciado um grupo de treinamento com outras pessoas que eu gosto muito e nascia assim o Yama Dojo. Mesmo outrora estando em lados opostos, fui buscar a autorização deste colega para retomar meus treinamentos no Yama Dojo, neste ponto, acredito que podemos identificar um novo ponto chave do AIKIDO o AIKI, onde reagir a uma situação de forma relaxada e com boas intenções podem gerar bons frutos. O AIKI, empregado nesta situação, está em aprender a conviver com pessoas que até pouco tempo estavam em lados opostos e deste pequeno contratempo construir algo que se possa chamar de concreto e sadio. Neste momento iniciou-se algo que hoje eu entendo como sendo o verdadeiro respeito, que veio acompanhado pela admiração, tanto dentro, quanto fora do Dojo. Meu antigo colega e meu atual Sensei, conseguiu despertar um respeito tão grande em mim que eu não conseguia definir se ele se comparava com algum membro de minha família ou com algum grande amigo. No entanto, após pensar neste relacionamento cheguei à conclusão que havia surgido em minha vida um novo laço, que não se encaixa nem em familiar ou fraternal, mas que envolve estes laços também. Todo o respeito, admiração, tudo o que aprendi no AIKIDO, e só aprendi coisas boas, devo ao meu Sensei, Sensei Joacir. E aqui, em meio a uma cidade quente, cercada por florestas pude aprender que o laço que une o Sensei aos seus alunos, quando é construído de forma correta, é para toda a vida, pois é este sentimento que carrego comigo.

 

 

O relacionamento entre Sempai e Kohai:

Crianças, em sua formação, aprendem observando os pais, isso é fato. Pois os pais estão a mais tempo na caminhada da vida, normal este aprendizado seguindo um exemplo. Treinando o AIKIDO em um Dojo que segue o espirito tradicional do AIKIDO, pude perceber que da mesma forma que o Sensei nos trata, acabamos por compartilhar este sentimento, este tratamento, com os companheiros mais novos do Dojo.

No meu caso, tenho um real sentimento de irmão mais velho com os demais praticantes do nosso querido Dojo. E da mesma forma que vejo todo o respeito que o nosso Sensei demonstra pelos alunos, também vejo o carinho e a alegria em seu tratamento para conosco. Isto acaba nos servindo de exemplo. Então, todos os sempais do Dojo, tal qual crianças em aprendizado, acabam por transmitir aos novos amigos de treino o mesmo tratamento. É incrível a atmosfera de cooperação e companheirismo que é criada em um Dojo de AIKIDO. Eis que um novo laço surge, este com características bem grandes de fraternidade, o relacionamento Sempai-Kohai, relacionamento este que está além dos treinamentos das técnicas de AIKIDO, não é apenas um aluno mais experiente ajudando um iniciante a percorrer um caminho marcial, é um relacionamento onde se busca o crescimento mútuo, é crescer em conjunto, é deixar de lado o individualismo e realizar um crescimento coletivo, é a união entre pessoas que aprendem juntas, é simplesmente incrível.

Shuggyo:

Em meio à floresta não venta com frequência, e além da ausência de vento, o sol castiga, às vezes parecendo mais forte a cada dia. A umidade é alta e o ambiente funciona quase que como uma estufa. Não existe inverno, temos aqui um período em que chove mais e um período em que chove menos. Em meio a esse calor, que deixa kimono, hakama e faixa molhados, nós praticamos o aikido.

Sabemos que shuggyo é o treinamento austero, verdadeiro, onde se treina com o coração. Em meio à floresta, às vezes chega a faltar o ar nos pulmões, devido o clima quente. No entanto, existe um sentimento, uma paixão que nos leva a treinar e treinar, com o objetivo de nos tornarmos pessoas melhores, mais sinceras, mais felizes. E durante o treinamento sentimos o impacto do clima, no entanto, treinamos com vontade, com sinceridade e ao final do treino, quando estamos todos cansados e pingando suor, podemos dizer, e dizemos com frequência: “Hoje o treino foi bom”.

Este é o tipo de treinamento aplicado por nosso Sensei, é esse sentimento que ele nos passa e é esse sentimento que nós, alunos, antigos e novos, tentamos compartilhar entre nós. Shuggyo no fim das contas é algo que conforta nosso espirito, pois é como se ao final de um treinamento sincero e forte, nossa alma estivesse lavada e pacificada da turbulência gerada no dia a dia.

Hibbi Shoshin:

Mesmo distantes dos grandes centros de aikido no Brasil, temos, frequentemente, a hora de receber em nosso Dojo grandes nomes do aikido brasileiro e latino-americano, graças ao nosso Sensei.

É impressionante como a cada seminário, cada encontro técnico percebemos o quanto não sabemos nada, o quanto ainda estamos no começo. Ter essa consciência, olhar para estas pessoas executando movimentos perfeitos e treinar cada vez mais para tentar um dia atingir algo semelhante é o que conhecemos como Hibbi Shoshin, o Espirito de Iniciante.

Para manter este estado de espirito, antes de tudo precisamos manter a humildade em nossos corações, saber que estamos no começo de um caminho longo e que precisamos de auxílio para percorrê-lo. Hibbi Shoshin é ter consciência da nossa pouca maturidade no aikido, e em diversas situações da vida, e tentar cada vez mais aprender, não somente aprender com a mente, mas aprender com o coração, com a alma, aprender com sentimento e se alegrar com o ensinamento adquirido e sempre respeitar aquele que o ensina.

Eu poderia citar vários exemplos sobre nossa prática do aikido em meio à floresta, mas não diria nada muito diferente do que já foi escrito, no entanto, sei que estarei me repetindo mais uma vez, mas o ensinamento é isso: aprendemos e ensinamos sempre algo semelhante. No entanto não poderia deixar de falar sobre o ponto em que tudo isso, todo esse ensinamento, todos esses pilares que sustentam o nosso treinamento, este ponto é o Sensei.

Nesses anos, em que pratico o aikido, pude perceber que aos poucos vamos aprendendo não somente uma arte marcial. Estamos aprendendo a nos tornar pessoas melhores, pessoas que, quando bem educadas, irão contribuir de uma melhor forma com o meio em que vivem. E essa mudança é o resultado de um trabalho desenvolvido por esta pessoa que percorre o mesmo caminho que nós, mas que está um pouco à frente, nos guiando, nos ensinando e corrigindo, nos educando.  Sem o Sensei em nosso caminho, não caminhamos corretamente, apenas andamos perdidos, sem saber onde podemos chegar, sem saber aonde ir.

Hoje, após tantas coisas vividas, só tenho que agradecer ao meu Sensei pelo caminho em que estou, tenho que agradecer pelo exemplo de amigo, homem e profissional que ele é e que nos ajuda a cada dia mais melhorar como pessoa e como praticante de aikido.

Domo Arigato Gozaimashita Sensei Joacir.

Obrigado à minha família, que sempre me apoia.

Obrigado aos meus amigos e irmãos de treinamento em especial o Luiz Pontes, que caminha lado a lado comigo em nosso desenvolvimento.

Obrigado Deus, por todas essas graças.

Renato Marques Lessa

Yama Dojo

Tese de Nidan – Joacir Marques

Manaus, 17 de Setembro de 2011



Meu nome é Joacir Marques de Oliveira Júnior e iniciei a prática do Aikido em dezembro de 1999 em Fortaleza, capital do Ceará. A primeira vez que escutei sobre Aikido foi bem antes, ainda em Manaus. Umamigo e vizinho brigão, que adorava lutas, comentava empolgado sobre Steven Seagal e que ele praticava uma arte marcial chamada Aikido e como ele derrotava todo mundo através dessa “luta”. Fiquei curioso e comecei a assistir a alguns filmes do ator. Golpes rápidos, torções, projeções. O cara era bom mesmo e eu muito magrinho era um dos mais fracos da minha rua e precisava dar um jeito nisso. O bairro que morava em Manaus era agitado, a garotada tinha por diversão brigar. Eu detestava a idéia, mas se queria estar na rua, a possibilidade de se envolver em uma briga era bem razoável. Geralmente era uma medição de forças no bairro, onde você era desafiado e ou se baixava a cabeça, ou enfrentava o seu desafiante. As brigas começavam muitas vezes com provocações simples do tipo: “Você tem medo de mim?” e eu orgulhoso dizia “não, não tenho (porém bastante apreensivo)”. A resposta era “então vamos brigar e ver quem é melhor”.

Eu devia ter nessa época de10 a13 anos e tinha muito medo dessas situações e precisava me preparar para aquilo. Aikido seria uma ótima opção, eu pensava. Na época saía uma publicação da revista KIAI e li uma matéria do Shihan Wagner Bull falando sobre traumas no Aikido. Em uma das fotos Sensei Wagner estava segurando uma pessoa com muita cara de dor enquanto o Shihan exibia uma cara tranqüila de que estava fazendo pouco esforço para dominar o seu UKE. Era um sankyo. Poderosíssimo. Fiquei fascinado com aquilo, com a possibilidade de ser forte. Queria muito praticar aquela arte marcial poderosa e fui atrás no meu bairro mas não achei. Já tinha feito judô, mas achava insuficiente para o que precisava nas ruas. Meu pai então me levou em uma academia simples onde se praticava Kung Fu. Fiquei la um mês até que viajamos e férias e não voltei mais. Já com meus 17 anos, o Jiu Jitsu fervia em Manaus. Acabei praticando uns 2 meses mas achava tudo muito estranho e um clima pesado. A maioria dos praticantes ficava muito “inflado” e muitas vezes nem eram tão bons de briga assim, mas bastava praticar uns3 a6 meses que se sentiam poderosos e queriam se testar com os que não praticavam nada. Apesar de muito eficiente, não me empolgava. Fui então para o Tae Kwon Do. Pratiquei 6 meses e cheguei a ganhar um campeonato. Meu professor na época era um cara muito legal. Uma das regras era que se brigar na rua tava expulso. Era o tipo de regra que gostava, pois minha idéia sempre foi de estar preparado para uma luta, mas nunca precisar entraem uma. Dizem que para um país manter a paz, ele precisa estar preparado para a guerra.

Depois de um tempo entrei na faculdade de Tecnologia em Edificações em Manaus e trabalhava ajudando meu pai no comércio. Tinha esquecido um pouco sobre as artes marciais. Ainda voltei a fazer judô, porém com pouco compromisso. Minha irmã terminou a faculdade de odontologia e meu pai decidiu que iríamos morar no Ceará. Larguei a faculdade de que não gostava muito e comecei uma nova em Informáticaem Fortaleza. Depoisde alguns anos e alguns estágios, surgiu no trabalho o assunto artes marciais. Um colega comentou que gostaria de praticar Aikido e que perto de onde trabalhávamos existia um bom dojo. Toda a vontade que tinha ressurgiu naquele momento. Combinamos de irmos assistir uma aula. Eu sempre fui muito decidido e ansioso. Nunca gostei de adiar muito o que queria fazer e na espera do dia de irmos visitar o  dojo que nunca vinha, acabei indo sozinho assistir a minha primeira aula de Aikido. Fiquei encantado. Estavam treinando Shiho Nague. Eu queria muito treinar aquilo. Falei com o Sensei no final da aula e finalmente comecei a praticar Aikido. As aulas eram todos os dias e eu não faltava nenhuma. Por mim ia mais e mais vezes. Quando recomeçaram as minhas aulas na faculdade, muitas vezes saía mais cedo da aula para dar tempo de treinar. Eu amava Aikido. Era um sentimento difícil de explicar. Meu sensei na época era o Sensei Paulo Lins, um Sandan naqueles dias. Um dos colegas de treino era um ex praticante de Muay Thai e Jiu Jitsu que era categórico em afimar que Aikido era a mais eficiente das artes marciais. Sua certeza em falar isso vinha do fato de ele quando entrou no grupo de Aikido, tinha más intenções. Ele queria aprender algumas torções novas para incrementar o seu background em lutas, porém quando viu a aula, riu para si mesmo e pensou: “Isso é palhaçada! Ta tudo combinado. Vou desmascarar esse cara”. Ele se matriculou e em uma das aulas o Sensei estava explicando kote gaeshi e ele pediu para perguntar: “Mas isso funciona porque é só um soco, mas na vida real sempre é uma sequência de golpes”. O professor respondeu algo como : “Hmmmmm…..me mostre o que você quer dizer”. O aluno pensou soco, soco e chute, porém só teve tempo para o primeiro soco e já estava indo ao chão. Não se conteve e tentou mais uma vez e caiu sem saber como caiu e sem saber onde o Sensei estava. Ele começou a rir e se perguntou “o que ele fez????”. Ele virou um dos mais empolgados alunos do dojo e grande amigo do Sensei Paulo. Detestava quando escutava que alguém tinha saído do Aikido para praticar outra arte marcial. Achava isso estúpido.

Eu seguia treinando empolgado até que o Sensei Paulo precisou parar para uma cirurgia nos ombros. Pedi autorização para continuar treinando com o Sensei Marcelo que tinha acabado de se ligar ao Larry Reynosa. Quando o Sensei Paulo voltou da recuperação da cirurgia, voltei a treinar com ele. Nessa época ele já estava ligado ao Sensei Nishida que me examinou para a faixa amarela. Continuei praticando um pouco menos freqüente por conta dos horários difíceis da faculdade até que passei em um concurso da Petrobrás em  e em 2003 estava indo para o Rio de Janeiro. La, durante uns 2 meses, pratiquei com o carismático Sensei Mauro Salgueiro. Não tinha ninguém ligado ao Sensei Nishida e como estava em Copacabana, seu dojo era o mais “conveniente”. Só que descobri que dei sorte com a conveniência. Sensei Mauro é daqueles professores que tem dom. Sua aula é divertida e séria ao mesmo tempo. Meu problema é que tava mudando tudo. Minha base era de lado e agora era de frente. O peso era mais atrás e agora era mais na frente e por aí ia. Lembro até hoje do Fred que na época era um Nidan com cara de mau, que sempre me corrigia duramente e eu sou muito grato por isso. Fui transferido para Manaus e minha história no Aikido continuou por aqui. Fiz novamente o exame para faixa amarela com o Sensei Alexandre e depois de um ano mais ou menos saí do grupo O’Shinzen para iniciar uma nova proposta. Era um desafio enorme, algo como subir uma enorme montanha (Yama) e ainda estar na sua base. Comecei essa escalada junto com o Aguinaldo e com o apoio sempre 100% da minha esposa que é a pessoa mais envolvida com Aikido que não freqüenta minhas aulas, mas que, no entanto é uma peça chave para o Yama Dojo existir. Nesses anos orientados pelo Sensei Wagner, descobri muito mais que a parte física e mecânica do Aikido. O lado espiritual, filsosófico e evolutivo do ser humano se tornaram mais fortes do que nunca. Sensei Wagner colocou o espelho da verdade para que eu pudesse me olhar e comecei a ver mais claramente meus defeitos. Vi mais claramente que antes de nos prepararmos para uma luta de rua como queria na minha adolescência, precisamos nos preparar para os conflitos diários da vida. Precisamos aprender a controlar nossas emoções e nos manter tranqüilos em qualquer agressão. Hoje, como líder do Yama Dojo, tenho percebido mudanças reais em minha postura frente aos conflitos. Em um conflito, o que ganhamos ao derrotar o “inimigo” do momento? Provavelmente um inimigo por mais tempo. Há momentos que é preferível ceder para ganhar. Cair para levantar inteiro. Ao tentar controlar nosso ímpeto em nos defender do que consideramos uma agressão com outra agressão, ganhamos muito mais. Não podemos frente uma agressão deixar que nosso espírito se perturbe sempre e contribuirmos ainda mais para a desarmonia que se iniciou. Como aikidoístas, devemos restabelecer a ordem das coisas. Essa é nossa busca. Estar preparado para esse tipo luta é muito mais importante que estar preparado para uma luta física. No entanto, acredito que dentro do tatame, nosso treino precisa ser verdadeiro para alcançarmos esse ideal. Não podemos fingir que praticamos uma arte marcial, mas na verdade apenas dançamos com nosso colega de treino e fazemos quedas bonitas. Isso denigre o Aikido e não nos provoca os sentimentos que precisamos trabalhar. Nossa busca marcial e espiritual tem que andar juntas no nosso caminho (DO). Não podemos também ter a distorcida visão de que harmonia sempre é o belo e que dentro dela não há rupturas ou separações. Em uma passagem do livro de Mitsugui Saotome, Aikido e a Harmonia da Natureza, mestre Saotome exemplifica bem isso quando algumas pessoas vêem harmonia em um cordeiro dormindo tranquilamente ao lado do feliz leão. O resultado disso seria que o leão morreria de fome e sem o predador, os carneiros superpovoariam a área e destruiriam toda a relva que serve para reter o solo. A rica camada superficial deste seria lavada, o lago secaria e os cordeiros também sucumbiriam de inanição e logo teríamos um deserto árido e sem vida.

Esses anos como líder do Yama Dojo e como aluno do Sensei Wagner tem me permitido começar a sentir uma real evolução no meu espírito e também na minha técnica. Sinto claro, que preciso me esforçar ainda muito mais para que eu possa continuar com essa enorme responsabilidade que é guiar pessoas. Preciso continuar evoluindo e me tornar cada vez mais uma pessoa melhor e mais preparada para qualquer luta e formar pessoas de bem no nosso dojo. Preciso treinar mais meu corpo e espírito para que tenha condições de reverberar satisfatoriamente os ensinamentos do nosso Shihan e que nosso dojo possa ser na maior parte possível um pouco do reflexo do dojo central. É uma tarefa difícil, pois antes de ajudar a polir espíritos, preciso polir o meu. Preciso aprender a aceitar as adversidades da vida como uma oportunidade de iluminação. Aprendi também com nosso Shihan que o líder do caminho é diferente do líder de uma empresa. O líder de uma empresa busca sempre agradar os seus liderados, os elogiando para que todos escutem e os repreendendo à surdina. Isso faz com que seus liderados gostem cada vez mais de você e se esse é seu objetivo, embora um objetivo egoísta, é provável que você conseguirá. Porém, se seu objetivo é educar, muitas vezes o remédio será mais amargo e você chamará atenção do seu aluno às claras e ele se sentirá humilhado, seu ego será ferido e a popularidade do líder irá cair. Essa fórmula dos livros de liderança modernos funcionam bem nas empresas onde as relações são mais curtas e frias, porém em uma relação mais duradoura de Sensei e Aluno, que se assemelha muito a de um pai e um filho, a fórmula correta é a do remédio amargo quando preciso e do ombro amigo quando for a hora. A conexão será verdadeira e forte, pois assim como o filho amadurece e um dia agradece as broncas dos pais, o aluno também perceberá que o seu Sensei quer sempre o bem do seu grupo e do seu aluno.

Meus agradecimentos em especial ao nosso Shihan, a minha esposa Leyne, meus pais e ao Aguinaldo San. A todos os professores e colegas do Instituto Takemussu. Aos meus alunos e ex-alunos, que me ajudam acima de tudo a evoluir junto com vocês.

Domo Arigato Gozai Mashita,

Joacir Marques de Oliveira Júnior

Dojo Cho Yama Dojo – Brazil Aikikai

Fim de Semana com Bull Shihan em Manaus – 17 e 18 de Setembro de 2011

No último final de semana, dias 17 e 18 de Setembro de 2011, desfrutamos no Hotel Adrianópolis de um brilhante seminário com o inspirado Bull Shihan. Comprovamos mais uma vez que cada seminário com o Shihan Wagner Bull é especial e totalmente novo.

Foram 02 aulas no sábado e 01 no domingo. Na aula da tarde do Sábado foram examinados dois alunos para faixa verde ( Diego e Ewerton), dois alunos para faixa azul(Aldenor e Rodrigo) e dois alunos para Shodan, faixa preta primeiro grau(Renato Lessa e Luiz Pontes). Todos aprovados. No domingo foi aprovado para faixa preta segundo grau o Dojo Cho do Yama Dojo,  Joacir Marques.

O Seminário com Bull Shihan foi marcado pela busca do sentimento e sua  percepção durante a aplicação da técnica. É difícil para os principiantes perceberem como pode alguém mesmo sem tocar, derrubar o outro.  Em movimentos sinceros, era como se recebêssemos um forte golpe e se perdia o equilíbrio. O Shihan Wagner Bull está em um Sankyo, ou seja, em uma espiral ascendente e cabe a nós não perdermos essa grande caminhada na busca de entender cada vez mais o caminho que escolhemos.

O Brasil tem caminhado para um aikido cada vez mais de alto nível.  Manaus também tem evoluído de maneira empolgante.  Em uma cidade onde não existia dojos de Aikido, já existem 4 locais  para treino, sendo 03 destes ligados ao Shihan Wagner Bull direta ou indiretamente.  Foram dezenas de seminários e Encontros Técnicos. Centenas de alunos que tiveram o primeiro contato de Aikido na cidade de Manaus. Já somos em atividade pelo menos 7 praticantes de Aikido com graduação de Shodan e Nidan e outros tanto dos mais diversos níveis de Kyu. Mesmo sabendo que nossa caminhada mal começou e temos apenas uma visão embaçada do Aikido, é gratificante saber que estamos no caminho correto.

Ganbatte kudasai,

Joacir Marques,

Dojo Cho Yama Dojo – Brazil Aikikai
Faixa Preta segundo grau de Aikido
Iniciado em Takemussu Aiki pelo Shihan Wagner Bull